Palavra e Utopia (Palavra e Utopia) 2000

Em 1663, o Padre António Vieira é chamado a Coimbra para comparecer diante do Tribunal do Santo Ofício, a terrível Inquisição. As intrigas da corte e uma desgraça passageira enfraqueceram a sua posição de célebre pregador jesuíta e amigo íntimo do falecido rei D. João IV. Perante os juizes, o Padre António Vieira revê o seu passado: a juventude no Brasil e os anos de noviciado na Bahia, a sua ligação à causa dos índios e os seus primeiros sucessos no púlpito. Em Palavra e Utopia, o rigor que envolve a composição, a austeridade da câmera imóvel, o filme baseado rigidamente em material histórico, a estética quase minimalista, lembram a força arquitetônica de um Crônica de Anna Magdalena Bach. Mas a diferença é que Manoel de Oliveira permanece, como sempre, fiel aos seus costumeiros objetivos: aqui, como o próprio título anuncia, é a palavra que preenche a tela, num cinema em que a retórica e a literatura predominam apenas como parte de um projeto íntimo e coerente de cinematografia. Talvez a maior diferença entre o clássico filme de Straub e este de Oliveira é que, enquanto Bach é um músico, o Padre António Vieira é um escritor.Aos noventa e três anos, Oliveira apresenta-nos, talvez de forma mais clara que em qualquer outro filme seu, sua visão particular de um processo de envelhecimento. Mesmo com as elipses, através do uso constante do corte seco e das cartelas, Oliveira descreve passo a passo o processo de decadência física do padre: o início da cegueira, os problemas nas mãos, sua dificuldade de locomoção. Ao final, Vieira agoniza na cama, ao lado de alguns padres que o estimam. Destino de todos nós.Link para downloadImdb

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